Em hospitais encontramos pessoas abertas para Jesus, com muita freqüência, mais também tem aqueles pacientes que ficam duros, para qualquer mensagem do Senhor.
Naquele dia era nosso primeiro quarto a receber nossa visita. Olhei para o paciente e me apresentei, e ele de maneira rude falou:
- Já ouvi falar de ti. Olhando dentro dos meus olhos, de forma grosseira,
- Não quero ouvir nada e não quero nenhuma oração, sai fora.
Levantou-se e saiu do quarto com passos firmes.
Naquela hora meus olhos encheram-se de lagrimas. E o paciente do lado disse:
- Bugra, tu realmente ama a gente!? Né!? Não liga pró cara, ele é um grosso com todo mundo. Eu quero que tu ores comigo.
Enxuguei minhas lagrimas, a vontade era de ir embora e chorar muito. Mais era hora de amar e perdoar. Assim começou naquele dia as visitas no Hospital Nereu Ramos, em Floripa.
Durante todo tempo, não esqueci o olhar daquele moço. Resolvi que brigaria para ele encontrar a paz de Cristo, não iria desistir dele.
Na outra semana, entrei em seu quarto, quando ele viu que era eu, se virou na cama, e mais uma vez não quis falar comigo. Orei com seu companheiro de quarto e li a Bíblia com aquele paciente ao seu lado.
Na outra semana voltei e antes dele correr comigo falei:
- Cara, na boa, sei que tu não ta a fim de oração, tudo bem; mais eu queria te dar um cartãozinho que os meus NETOS decoraram.
Ele abaixou os olhos para o chão e disse:
- Tudo bem! Coloca na minha gaveta.
E assim toda a vez que ia ao Hospital eu deixava um cartão na sua gaveta, isto aconteceu durante três meses. Quando abria a gaveta eu observava que ele não mexia nos cartões. Mais já estava me cumprimentando, seu olhar já não estava tão duro, não virava o rosto prá mim. Dê alguma forma algo de bom entre nós estava acontecendo, estávamos ficando amigos.
As doenças oportunistas não davam trégua para aquele Jovem. Ficou meses internado, e eu nunca vi receber ninguém para visitá-lo. Aquilo entristecia meu coração.
Até que um dia, eu fui ao seu quarto como de costume, ele já estava bem mal, muito magro e abatido, normal dentro de um quadro avançado de AIDS. Ele então me falou:
- Bugra, cara, tu não desiste mesmo, né?
Eu olhei prá ele e respondi:
- Cara, Deus não desistiu de mim e nem de ninguém. Ele te ama.
Ele então disse algo tremendo:
- Bugra, eu li, todos os cartões que à meses tu, Poe na minha gaveta. Eu quero este Jesus. Eu estou morrendo e estou com medo, estou com medo de morrer e de viver.
Eu olhei para ele e percebi que Deus tinha feito de uma terra dura e árida, ficar fofinha e pronta para receber a semente da vida. Deus fez isto com suas próprias mãos! Ele naquela hora entregou sua vida a Jesus.
Ele já estava bem frágil, quando nos despedimos, ele disse:
- Bugra, acho que esta semana vou ir com o Pai, estou morrendo e indo para morar com Jesus.
Brinquei com ele e disse:
- Sem essa cara, espera mais uma semana. Ele rindo respondeu:
- Cara, eu to a fim de ir, te espero lá. Oramos e fomos embora.
Na segunda feira seguinte, o primeiro paciente a ser visitado foi ele; quando cheguei estavam limpando o quarto, Pensei que ele tivesse mudado de quarto. Perguntei então para a enfermeira por ele. Ela disse:
-Bugra, ele foi a óbito.
Naquela tarde não visitei ninguém. Fui para minha casa chorar com Deus.
Testemunho reenviado pelo líder dos adolescentes Tiago Alexandre Kuzma, e enviado pela Missionária Bugra
Palavra para a galera:
Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome. (Sl. 86.11)
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